Água líquida em Marte pode facilitar colonização do planeta no futuro

Apesar da água que flui nessas ranhuras ter uma grande quantidade de sais que não são saudáveis para o desenvolvimento de vida, a existência de água em estado líquido no presente (e não há milhões ou bilhões de anos) dá um grande impulso na esperança de encontrarmos vida por lá. Uma análise da água ainda deve demorar, pois seria preciso que uma amostra do solo fosse recolhida e enviada à Terra, ou que um astronauta fizesse a análise no local. As duas coisas estão planejadas pela NASA, mas não deve acontecer nos próximos 20 ou 30 anos.

Essa descoberta também deve ajudar na colonização de Marte, pois mostra que é mais fácil de se obter água do que se pensava anteriormente. Além disso, o sal encontrado onde a água escorre, chamado perclorato, poderia ser usado para a produção de combustível para a colônia.Finalmente chegou o dia! Neste domingo teremos a segunda Superlua, das três que acontecem no ano, mas que vem com um bônus: será dia de eclipse lunar também! Desta vez o Brasil estará em situação privilegiada para acompanhar o evento, que também deve ser visto na costa oeste da África e Europa, mas também na costa leste dos EUA, mesmo que parcialmente.

E o papo é o seguinte:

O que tem de especial em um eclipse com uma Superlua?

Não é muito comum acontecer os dois eventos ao mesmo tempo. A Superlua se dá quando a Lua atinge a fase de cheia a menos de 24 horas do seu ponto mais próximo da Terra em sua órbita, ponto esse conhecido como perigeu. Esse ano nós já tivemos uma Superlua em agosto, teremos outra agora em setembro e finalmente a última em outubro. Ainda que na prática seja muito difícil de ver diferenças entre as três, a melhor delas é sem dúvida a de domingo agora, dia 27.

Quando a Lua Cheia ocorre no perigeu, ela surge com o tamanho aparente maior, até 14% e até 30% mais brilhante. Esse tamanho mais avantajado é pouco notado quando ela está alta no céu, pois falta alguma coisa perto da Lua para comparar, mas quando ela surge no horizonte, parece bem maior que normalmente estamos acostumados a ver. Ela fica mais brilhante também, o que dá para notar, mesmo dentro de cidades grandes, mas que chega a impressionar se estivermos em um local escuro.

Aí tem um eclipse nessa Lua do Perigeu (o nome oficial da Superlua) e fica tudo de bom! Quando a Lua mergulhar na sombra da Terra, veremos um contraste entre as fases brilhante e escura ainda maior que o normal, bombando os efeitos do eclipse. A última vez que um eclipse aconteceu numa Superlua foi há mais de 30 anos e a próxima só deve acontecer daqui a 17 anos.

O quê eu preciso para ver o eclipse?

Duas coisas: céu limpo e horizonte aberto! Esse é um dos eventos astronômicos em que não é preciso nenhum tipo de equipamento, basta que o céu esteja limpo e que você consiga ver a Lua no céu. Claro que a festa fica ainda melhor se houver uma luneta ou telescópio disponível. Nesse caso dá para ver a sombra da Terra percorrendo a superfície lunar, cobrindo as crateras, vales e montanhas conforme a Lua e a Terra se movimentam. Se você for que nem eu que gosta de ficar horas contemplando o céu, sugiro usar uma cadeira de praia ou espreguiçadeira para fiar mais confortável.

Qual o horário do eclipse?

O eclipse lunar total, como é esse caso, é composto de duas fases: a penumbral e a umbral. A sombra da Terra tem um halo externo mais tênue, a penumbra, e uma parte bem mais escura ao centro, a umbra. Como o eclipse é total, a Lua vai mergulhar totalmente em ambas durante seu trajeto no céu.

Durante a fase penumbral, a Lua escurece um pouco e às vezes até passa despercebido de tão sutil. Apenas observadores mais atentos conseguem distinguir o começo dessa fase, quando a borda da Lua toca a penumbra da Terra (evento chamado de P1 às 21:11), mas conforme ela vai se deslocando sobre ela, o escurecimento fica mais evidente.

A segunda fase é a umbral. Aí sim fica evidente que a Lua está sendo coberta pela sombra densa da Terra. Quando há o primeiro toque da borda da superfície lunar com a umbra (evento chamado de U1, às 22:07), parece que ela perdeu um pedaço de tão escuro que fica e conforme a sombra avança, o pedaço aumenta junto. Quando a Lua estiver completamente coberta pela umbra, começando a fase de totalidade no instante U2 (23:11) vai ficar bem evidente a mudança de sua cor, pois ela deve ficar um tanto mais alaranjada.A segunda Super Lua do ano será vista neste domingo (27)


Mesmo quando a Lua está mergulhada na umbra da Terra, um pouco da luz do Sol consegue atingi-la, após atravessar a atmosfera da Terra. O efeito de mudança da cor tem a ver com o estado da atmosfera terrestre. A luz, ao atravessa-la, vai ser influenciada por tudo que ela contém. Logo de cara, a pouca luz que chega na Lua vai ser um pouco alaranjada, simplesmente por que a parte azul dela é muito espalhada pela nossa atmosfera. Por isso o céu é azul. Mas se ela estiver carregada com particulados como poeira e, principalmente, cinzas vulcânicas, esse efeito é acentuado e praticamente apenas luz vermelha vai atingir a Lua. Recentemente tivemos duas erupções vulcânicas intensas que lançaram cinzas na alta atmosfera. Nessa região de altitude elevada, as cinzas podem circular por anos antes de caírem de volta ao solo, de modo que espera-se que esse efeito de avermelhar a Lua seja bem destacado nesse eclipse.

A fase da totalidade dura até o momento em que a Lua começa a sair da umbra (instante U3, 00:23 de segunda feira 28) e volta a mergulhar na penumbra. Essa fase deve durar um pouco mais do que 1 hora e 10 minutos e durante esse tempo a Lua deverá estar mais obscurecida e avermelhada, dependendo da situação da atmosfera terrestre. 

Existe uma escala proposta pelo astrônomo francês Andrés-Louis Danjon para quantificar o grau de escuridão que a Lua atinge nesses momentos de eclipse total. A escala de Danjon varia de 0 (muito escuro, quase invisível) até 4 (muito claro, cor alaranjada). Essa escala é bastante arbitrária, mas ela ajuda a revelar o grau de sujeira suspensa na atmosfera de acordo com o brilho e a cor da Lua.

Finalmente o eclipse termina quando a Lua toda sair da penumbra (P4), que deve acontecer às 02:22 da madrugada de segunda feira. Se você não pode se dar ao luxo de ficar acordado até duas da matina em plena segunda feira braba, tente ao menos ver a Lua atingir o ápice do eclipse, que deve ocorrer entre os pontos U2 e U3 e dura pouco mais do que uma hora.

Para organizar melhor as ideias, tem esse esquema do eclipse com muitos dados sobre todo o evento. O que mais interessa é a tabela com os horários de entrada e saída da sobra da Terra, sempre na hora oficial de Brasília.

Por quê algumas pessoas estão chamando o eclipse de “Lua sangrenta”?
Com apenas 500 km de diâmetro, Encélado só se tornou interessante com a passagem da duas sondas Voyager no começo dos anos 1980. Até então não passava de um pontinho de luz, difícil de se ver, dado que o brilho de Saturno e seus anéis atrapalha bastante. Mas assim que as sondas passaram por perto e mandaram imagens de sua superfície, ficou claro que essa minúscula lua era tão interessante quanto sua irmã gigante Titã.
A superfície de Encélado tem poucas crateras, indicando que ela é muito recente. Os impactos foram sendo apagados ao longo do tempo. Mais ainda, fraturas e rachaduras em sua superfície denunciam que há um processo de tectonismo ativo fazendo com que essas estruturas apareçam e que sua superfície esteja sempre sendo renovada. Mas o que causaria esse tipo de atividade, já que com apenas 500 km de tamanho, não há como Encélado ser geologicamente ativo?
A resposta é a mesma de Europa, uma das luas de Júpiter, água!
Podemos fazer uma comparação com o tectonismo da Terra da seguinte maneira. No nosso planeta, os continentes e as placas tectônicas se movimentam sobre um fluido, o magma. Em Europa, ao invés de placas geológicas, temos grandes massas de gelo que flutuam, não sobre lava, mas sobre água. Os movimentos dessas placas podem produzir as rachaduras, ou fraturas, vistas na superfície da lua. A mesma teoria poderia se aplicar para Encélado, já que essas estruturas existem do mesmo jeito em sua superfície.
A hipótese de um oceano começou a ganhar força quando a sonda Cassini flagrou plumas de vapor escapando do polo sul de Encélado. As imagens mostravam que aproximadamente 250 kg de água são jogados para o espaço a cada segundo a uma velocidade de quase 2.200 km/h! A Cassini também conseguiu “experimentar” as partículas ejetadas e descobriu que além de salgadas, elas continham material orgânico simples. Dois indicativos da existência de um oceano interior.
A grande questão era saber se o oceano se restringiria a um grande mar no polo sul apenas, de onde partem as plumas detectadas, ou se seria um oceano global, envolvendo toda a lua. A resposta, de acordo com um artigo publicado na revista Icarus nessa semana é que debaixo da crosta de gelo, cada centímetro quadrado de Encélado está banhado em um oceano salgado. A equipe liderada por Peter Thomas, da Universidade de Cornell (EUA) usou imagens da pequena lua e as medidas de seu movimento ao redor de Saturno. A aceleração e a desaceleração de Encélado, conforme ela percorre sua órbita, bem como as pequenas variações da medida da gravidade da pequena lua, detectadas pela sonda Cassini foram usadas para se obter essa conclusão. Simulações em computador usando diversas estruturas para o interior da lua mostraram que o melhor modelo que reproduzia os movimentos medidos pela sonda Cassini era o que continha um oceano de 20-40 km de espessura, abaixo de uma crosta de 10 km de gelo.
A descoberta atiça ainda mais a curiosidade dos astrobiólogos, já que o potencial para haver vida microbiana simples é muito grande, assim como Europa. Entre 2006 e 2015 nada menos que 11 missões de estudo de Encélado foram propostas, mas até agora nenhuma saiu do papel. Quem sabe agora alguma delas ganhe algum dinheiro para prosseguir. Enquanto isso, a Cassini deve ainda fazer mais 3 sobrevoos até o final do ano, sendo que na penúltima delas, dia 28 de outubro, a sonda deve passar a meros 49 km de sua superfície. Podemos esperar imagens fantásticas!
Mais Plutão!
Por falar em imagens fantásticas, olha só essa aqui, que foi liberada nessa quinta feira (17). O download das imagens de alta resolução obtidas pela New Horizons continua e cada imagem que chega, o queixo cai ainda mais.
Ela foi obtida 15 minutos após a máxima aproximação da sonda com Plutão, a uma distância de 18 mil km de sua superfície, na fase que ela olhou para trás para usar a luz do Sol distante para investigar a atmosfera do planeta anão. E olha só a estrutura dela sobre a superfície! Essa estratificação, que mostra neblina mais perto do solo, é um indicativo de que há alterações atmosféricas semelhantes às que acontecem na Terra, como a formação de nuvens mais baixas.
Além disso, as imagens mostram que o nitrogênio passa por um ciclo semelhante ao que vemos acontecer com a água no nosso planeta. No caso de Plutão, o nitrogênio vai à atmosfera, se condensa em flocos de neve e cai sobre a superfície. Ainda que não se torne líquido, ele deve formar um fluido espesso e escorre das regiões mais altas para as mais baixas, formando as planícies congeladas que vemos.
Mas a despeito de tudo isso, o que mais me impressiona nessa imagem é a p

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